15 de novembro de 2009

O Refúgio do Arquiteto

• Can Lis e Can Feliz, residência de Jorn em Mallorca



A construção dos refúgios insulares em Mallorca abre um processo de distanciamento e balanço. Construído na borda de um escarpado, Can Lis (1968) é um recinto arcaico que olha para o mar e Can Feliz (1994), um amplo mirante no vale de Calonge. Depois de residir varias décadas em Mallorca, encontrou o reconhecimento merecido. Ao arquiteto nonagenário foram feitos tributos em diversos congressos celebrados em Aalborg, Sevilla e, recentemente, Mallorca.








Fonte:
- http://www.vitruvius.com.br/drops/drops25_04.asp

Resumindo...

John Utzon foi o vencedor do concurso para a Sydney Opera House em janeiro de 1957, o que mais tarde lhe rendeu o prêmio Pritzker de arquitetura. Utzon se inspirou nos grandes exemplos da história, desde a arquitetura Maya até os monumentos orientais. É uma obra paradigmática da busca de uma nova expressividade da arquitetura moderna. Utzon queria isolar os auditórios da pele externa do edifício por razões acústicas e simbólicas. Também desejava suspender a sala de ópera e a sala de concertos na estrutura do teto, desenvolvendo um sistema de grandes vigas de madeira, formando uma ótima forma acusticamente. A maior dificuldade no desenvolvimento do projeto foi o projeto estrutural para as coberturas curvas. Foram seis anos de estudo para que a equipe do escritório de engenharia Ove Arup & Partners chegasse a uma solução estrutural para o que era então uma forma completamente nova para a cobertura das duas salas de concerto. O desafio era calcular o peso próprio das coberturas em concha, levando em conta o revestimento cerâmico, além de estabelecer uma relação entre as conchas externas e os tetos acústicos interiores.






De acordo com os croquis de Utzon, era praticamente impossível calcular uma geometria regular para tais estruturas. Peter Rice (Ove Arup) desenvolveu um software para fazer os cálculos geométricos, mas os resultados não agradavam ao arquiteto. Foi então que Utzon apresentou um novo desenho no qual todas as superfícies das coberturas eram geradas a partir de uma esfera simples, como 1/4 de uma laranja. A forma final demorou anos para ser completada e a tensão levou Utzon a abandonar o projeto, demitindo-se da direção da obra antes de terminá-la. O projeto final de 1963 mantinha a idéia escultórica inicial de Utzon, porém a estrutura inicial de dez conchas de concreto apoiadas umas sobre as outras se converteu em um sistema de estruturas autoportantes, com nervuras que se apoiam na base da plataforma de granito.



A Sydney Opera House é composta de salas de música e gravação, teatros, biblioteca, cinema, sala de exposições, restaurantes, camarins, cenários, sala de ópera, sala de concerto para 2690 espectadores, além dos foyers com lindas vistas para a baia de Sydney. As formas das coberturas expressam os valores simbólicos de velas de um grande barco ancorado na orla. Utzon foi considerado como o maior representante da terceira geração de modernistas. O complexo foi inaugurado em 1973, tornando-se um marco geográfico australiano.



Fontes:

MONTANER, Josep Maria. La modernidad superada: arquitectura, arte y pensamiento del siglo XX. 4. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2002.

SZALAPAJ, Peter. Contemporary Architecture and the Digital Design Process. Amsterdam: Elsevier, 2005.

13 de novembro de 2009

As conchas e os retalhos

O desenho da coberta, apesar de idealizado, não havia cálculo algum de execução daquela "manobra" estrutural. Abaixo, o desenho original que ganhou o concurso em 1955.



A coberta branca com a base marrom envolvendo a baía traz à mente a imagem das embarcações que aportaram em Sydney trazendo sua colonização. Esse era o apelo plástico adotado pelo arquiteto.


Entretanto, algumas alterações foram feitas para estabilizar estruturalmente a coberta, feita em concreto armado.



E as velas se transformaram em conchas, ou ainda, como o próprio arquiteto comentara, pedaços de laranja.

Fontes:
- The saga of Sydney Opera House, Peter Murray


Algumas obras de Joern

Olá, gente! Bom, vamos começar a mostrar algumas obras de Utzon que, embora não tão conhecidas como o Ópera, também têm sua importância na história do arquiteto e é sempre bom sabermos mais um pouco sobre nosso assunto preferido, arquitetura.
Estaremos postando outras obras do arquiteto e falando mais aprofundamente sobre algumas já citadas.
Abraço a todos!

• Residências em Fredensburg – North Zealand, Dinamarca, 1959-62







• Casa Middelboe, em Holte, Dinamarca, 1953-55





• Conjunto residencial Elineberg, em Helsingborg, Suécia, 1954-66. Executada pelos suecos Erik & Henry Andersson.




• Assembléia Nacional do Kuwait, em Kuwait City, 1972-84


a sobriedade formal e a contundência geométrica da Assembléia Nacional do Kuwait (1972) constitui uma homenagem à arquitetura islâmica.

Fontes:




Como vai o seu inglês???

Para quem tem o inglês afiado, aqui vai uma opção para um breve, porém detalhado, resumo sobre a obra da Sydney Opera House...


9 de novembro de 2009

Ode à Opera House

Em 1995, Alan John e Dennis Watkins compuseram uma música-ópera "The Eighth Wonder", homenageando a Opera House. Essa música voltou às paradas de sucesso em 2000, durante as olimpíadas de Sydney. Em seus versos, ela diz:


"...Between earth and sky
Entre o céu e a terra
It's here you live and here you die
É aqui que você vive e aqui você morre
And the spirit of man
E o espírito do homem
Is torn between
Fica dividido entre
The earth he knows
A terra que ele conhece
And the sky he's seen..."
E o céu em que ele é visto


Fontes:

- http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_John
- The saga of Opera House, Peter Murray

8 de novembro de 2009

Considerações sobre Arquitetura Orgânica na percepção de Frank Lloyd Wright

Esse texto contém passagens do arquiteto Frank Lloyd Wright falando a respeito da arquitetura orgânica e que como já sabemos foi de grande inspiração para Joern. Acho que tem tudo a ver com o tema. Esperamos que gostem!



" Orgânico significa intrínseco - entidade, no sentido filosófico - sempre que o todo está para a parte assim como a parte está para o todo; sempre que a natureza dos materiais, a natureza das intenções, a natureza de todo o processo torna-se claramente uma necessidade.
Desta natureza é que suge o caráter que o artista criativo pode conferir a um edifício em uma determinada situação. "
[...]
" Arquitetura ORGÂNICA (ou intrínseca) é a arquitetura livre na democracia ideal. "
[...]
" NATUREZA não significa apenas "ar-livre", nuvens, árvores, chuva, o terreno ou a vida animal, mas refere-se às suas naturezas no que diz respeito à natureza dos materiais ou à "natureza" de uma planta baixa, de um sentimento ou de uma ferramenta. Um homem ou qualquer coisa que se refira a ele, que vem de dentro. Natureza interior com N maiúsculo. PRINCÍPIO inerente. "
[...]
" No reino da arquitetura orgânica, a imaginação humana deve transformar a dura linguagem da estrutura em adequadas expressões humanas de forma, em vez de inventar fachadas inanimadas ou perturbar o esqueleto da construção. A poesia da forma é tão necessária para a grande arquitetura quanto as folhas para a árvore, as flores para a planta ou a carne para o corpo. O sentimentalismo desgastou esta necessidade humana, que agora se encontra distorcida pela sua negação; mas isto não é desculpa para que se tome a distorção da coisa pela coisa. Somente quando a mecanização da construção estiver a serviço da arquitetura criativa, e não a arquitetura criativa a serviço da mecanização, teremos uma grande arquitetura. "
[...]
" A TERCEIRA DIMENSÃO. Contrariando a crença popular, a terceira dimensão não é a espessura e sim, a profundidade. O termo "terceira dimensão" é usado na arquitetura orgânica para indicar o senso de profundidade que emana da coisa e não sobre a coisa. A terceira dimensão, a profundidade, é intrínseca ao edifício.
[...]
" ESPAÇO. A transformação contínua: fonte invisível de onde fluem todos os ritmos e para onde devem retornar. Além do tempo ou do infinito. A nova realidade à qual arquitetura orgânica serve para ser aplicada na construçã0. O alento de uma obra de arte."

Frank Lloyd Wright


Fontes:
-As formas do século XX (livro), de José Maria Montaner. Trecho do livro de Frank Lloyd Wright, The Future of Architecture, Horizon Press, Nova York, 1953.